BRS Kurumi e Capiaçú atendem necessidades de produtores do Noroeste Gaúcho

A distribuição de mudas de BRS Kurumi e de BRS Capiaçú, desenvolvidos pela Embrapa, ganhou força nos últimos dois anos na região de Santa Rosa com o apoio da Emater/RS-Ascar, vinculada à Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural. Suas características têm permitido que se adaptem bem à necessidade de alguns produtores de leite da região, demonstrando resistência mesmo no período de escassez de chuvas.

Na propriedade de Pedro Babeski e Rosângela Carmem Milbradt, moradores de Lajeado Vargas, interior de Doutor Maurício Cardoso, o BRS Kurumi é a pastagem que mais resistiu diante de 34 dias sem chuvas expressivas. “De 16 de setembro a 23 de outubro foram registrados apenas 14 milímetros de chuva na localidade”, observa o extensionista da Emater/RS-Ascar em Doutor Maurício Cardoso, Diego Monteiro, que relata estar recebendo o relato de boa resistência de outras das mais de 20 famílias para as quais foram distribuídas mudas de BRS Kurumi e de BRS Capiaçú no município, através do escritório da Emater/RS-Ascar.

Resultados a campo

A produção diária média na propriedade de Pedro e Rosângela é de aproximadamente 300 litros de leite. O estabelecimento é característico de agricultura familiar e se divide em cultivos de soja, milho e trigo. O leite é protagonista e recebe grande importância econômica na propriedade em épocas sem produção de grãos. Como forma de valorizar a importância da atividade leiteira, a família busca fazer um bom planejamento da dieta dos animais.

O milho é cultivado para a produção de silagem de grão, a soja é triturada para a composição da dieta dos animais, no inverno são destinadas áreas para cultivo de aveia preta, aveia branca e azevém e no verão é cultivado capim sudão com sorgo. Ainda há uma pequena área, de menos de um hectare, com a pastagem Aries. “Tínhamos um porém, quando acabava a pastagem de inverno até implantar a pastagem de verão se tinha um vazio primaveril de pastagem, por isso buscamos novas alternativas”, relata Rosângela. Muitos agricultores também usam o Kurumi para enfrentar o vazio forrageiro outonal.

No ano de 2019 um dos filhos do casal, Cristhian Milbradt Babeski, que é estudante de Agronomia, propôs a implantação de Kurumi. “Então no início do ano passado ele trouxe toletes de Kurumi da Unijuí e implantamos em um pedaço para posteriormente ter maior quantidade para transplante, começamos os transplantes em março e parte em agosto do ano passado. Hoje temos um hectare para pastejo e mais meio hectare em desenvolvimento”, relata a agricultora.

O Capiaçú chegou à propriedade através de mudas distribuídas pela Emater/RS-Ascar, que orientou e incentivou a implantação de culturas rentáveis e baixo custo de produção. “Também foi analisado que só uso de grãos em alto custo e que a produção de silagem pode ser usada para suplementação e uso para vacas secas e gado de corte para subsistência. E o capiaçu parece trazer bastante biomassa para silagem”, observa o agricultor.

Características das pastagens

Uma iniciativa com início em Senador Salgado Filho se intensificou na região de Santa Rosa a partir do final de 2018. Mudas de BRS Capiaçu, forragem que pode ser oferecida para alimentação do rebanho leiteiro e de corte e para pequenos ruminantes, foram multiplicadas sob intermédio da Emater/RS-Ascar.
A cultivar BRS Capiaçu foi obtida a partir do Programa de Melhoramento do Capim-Elefante, conduzido pela Embrapa Gado de Leite, resultando em um híbrido com um excelente potencial produtivo, de bom valor nutricional e de baixo custo em relação às cultivares tradicionais. As mudas atingem em média 4,2 metros de altura com 110 dias e possuem touceiras de formato ereto, resistentes ao tombamento e com boa tolerância ao estresse hídrico. Este material possui um potencial médio de produção de 100 toneladas de matéria verde por hectare a cada corte, sendo possível realizar de dois a cinco cortes por ano.

Os agricultores contam com as vantagens de oferecer aos animais um pasto com bom valor nutritivo, facilidade para a colheita mecanizada e ausência de pelos nas folhas, facilitando o manejo.

Já a cultivar BRS Kurumi apresenta alta produção de forragem e excelente estrutura do pasto, já que possuí características que favorecem o consumo de forragem pelos animais em pastejo, além de facilitar o manejo do pasto, sem necessidade de roçadas frequentes. O valor nutritivo também é um dos pontos fortes desta cultivar.

Rosângela e Pedro relatam que em sua propriedade os animais preferem o Kurumi para pastejo “porque possui boa palatabilidade, sendo muito macio e com menos pelos que os capins elefantes de cor roxa”. Também destacam que com quase 40 dias de estiagem, a forrageira vem respondendo em quantidade de forragem mesmo sob pressão de pastejo das vacas leiteiras, com bom rebrote. “Vem aumentando a produção em uma época na qual em outros anos se tinha uma redução na quantidade de litros no vazio forrageiro”, relatam os agricultores, que comentam que a única dificuldade que encontraram foi na implantação, que precisou de um maior período de tempo, compensado pelos resultados que se tem ao implantar um pasto em que não é preciso comprar sementes, auxiliando no aumento de produção e redução de custos.

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Fonte: EMATER/RS