Importância dos municípios na valorização do turismo, marcou Encontro das Cidades Históricas

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AMM esteve representada nos dois dias do evento, que encerrou com a elaboração da Carta de Brasília

Os prefeitos têm a missão de administrar os municípios, conhecer e preservar o patrimônio de suas cidades, no processo de valorização do turismo. Este foi um dos principais temas que pautaram o 3º Encontro das Cidades Históricas Turísticas e Patrimônio Mundial, que ocorreu em Brasília, dias 11 e 12 deste mês, na Confederação Nacional dos Municípios (CNM), em Brasília.

Participaram do evento o vice-presidente da Associação dos Municípios das Missões (AMM) e prefeito de Rolador, Paulo Peixoto (PMDB); o diretor do Detur/Funmissões e prefeito de São Nicolau, Ricardo Klein (PP); o secretário de Turismo de São Miguel das Missões, Fabiano Morais; o vice-prefeito e o vereador de Rolador, Mauro Santos (PSB) e Luciano Malmann (PMDB).A comitiva representou a região das Missões, onde se encontra o único Patrimônio Cultural da Humanidade localizado no sul do país – as Ruínas de São Miguel. E nos dois dias do encontro propagou o valor da história e da cultura missioneira para as autoridades federais, prefeitos e demais participantes de diferentes estados. Mas, na avaliação do diretor do Detur/Funmissões e do vice-presidente da AMM, teve um apelo que marcou a maioria dos painéis: a IMPORTÂNCIA DOS GESTORES MUNICIPAIS INVESTIREM EM AÇÕES DE TURISMO.

Protagonistas
Conforme dados apresentados pelo secretário Executivo do Ministério do Turismo (MTur), Alberto Alves, o Brasil é o primeiro no mundo em recursos naturais e oitavo em recursos culturais.Ele relatou que 60% dos brasileiros acreditam que o país explora pouco ou nada seu potencial turístico. A importância das administrações locais foi reforçada pelo Secretário Nacional de Estruturação do Turismo, Neusvaldo Lima. De acordo com ele, os prefeitos são protagonistas em todos os planejamentos de políticas de turismo.

Competitividade
Presidente do instituto Brasileiro de Turismo (Embratur), Vinícius Lummertz deixou claro que o Brasil precisa se planejar e criar um plano sustentável, levando-se em conta fatores sociais e econômicos. Na sua avaliação é fundamental que a relação entre o setor público e privado seja transparente para que possa gerar confiança e resultados eficazes. Lummertz chamou a atenção para o fato de que muitas vezes o brasileiro entende de maneira equivocada o termo competitividade, realidade que segundo ele precisa ser modificada para ser possível avançar pois, “se não há competitividade, não há afluência social”.

PAC nas cidades históricas
Conforme explanou o diretor do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Robson Almeida, a situação atual do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) nas cidades históricas é crítica. Ele explicou que estava previsto um total de R$ 1,9 bilhões para investimentos em 424 ações, em 44 cidades, localizadas em 20 estados. Porém, com o passar dos anos, a execução do programa não seguiu esse ritmo. Almeida relatou que 28 ações do PAC foram concluídas, 70 estão em fase de execução e outras 50 já foram aprovadas, mas aguardam liberação de recursos. O diretor do Instituto salientou que entre as razões para a baixa execução do Programa, estão as mudanças orçamentárias e a falta de projetos finalizados. “Gestores municipais, invistam em projetos”, clamou o diretor do Iphan.

Carta de Brasília
Outros temas relevantes foram debatidos nos dois dias do encontro, que foi finalizado com a elaboração da Carta de Brasília, destinada aos ministros de Estado, que resume os assuntos abordados, incluindo pertinentes sugestões dos participantes. Integram as demandas a política nacional de gestão do patrimônio mundial; garantia das autoridades quanto aos recursos necessários à preservação do patrimônio cultural, bem como ampliação dos programas já pactuados; incentivo ao turismo cultural, como a implantação de um sistema nacional do patrimônio cultural do país, entre outras.

Representando o dirigente da CNM, Paulo Ziulkoski, o terceiro vice-presidente da Confederação e prefeito de Maragogi (AL), Fernando Lira, ressaltou que a carta será validada na 20ª Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios, que acontece entre os dias 15 e 18 de maio. A partir disso, serão discutidas estratégias para inclusão da pauta das cidades históricas nos debates do Congresso Nacional e próximos eventos.
CNM e prefeito de Maragogi (AL), Fernando Lira, o evento é extremamente relevante. “Nós temos mais de 320 inscritos para esta edição, na sua maioria prefeitos e secretários municipais. E um dos objetivos é que com o fomento da atividade turística, baseada na valorização dessas cidades históricas, faça crescer a geração de emprego e renda nessas localidades”.

Troca de conhecimento
No encerramento do encontro, após a leitura da carta, o presidente da Organização Brasileira das Cidades Patrimônio Mundial (OCBP), Mário Nascimento, ressaltou que só há um caminho que leva a resultados positivos e avanços: a soma de esforços. “O evento que promovemos foi um espaço único de troca de conhecimento e construção de alternativas conjuntas, de fortalecimento do turismo. Precisamos estar unidos”. De igual maneira, concluiu a presidente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), Kátia Bogéa. “Vamos manter acesa essa discussão que começou aqui. O Iphan não trabalha sozinho, nós trabalhamos para vocês. E por isso eu reforço: a união faz a força”.

FOTOS: Karin Schmidt