Boletim de Conjuntura aponta perspectivas positivas para agropecuária

Boletim de Conjuntura aponta perspectivas positivas para agropecuária

22 de abril de 2021 Off Por admin

Por um lado, retomada da produção agrícola e preços das commodities em alta, por outro, cenário incerto em relação à evolução da pandemia no curto prazo, às medidas necessárias para combater seus efeitos econômicos e ao impacto que elas poderão causar no comércio, serviços e indústria. As perspectivas para o Rio Grande do Sul trazidas no Boletim de Conjuntura, divulgado nesta quinta-feira (22/4), apontam para um cenário de incertezas nos próximos meses.

Elaborado pelos pesquisadores Fernando Cruz, Martinho Lazzari, Tomás Torezani e Vanessa Sulzbach, do Departamento de Economia e Estatística (DEE), vinculado à Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão (SPGG), o documento traz estimativas para um cenário mais positivo na agropecuária do Estado em 2021, uma reversão de tendência.

Na sua edição anterior, o Boletim relatava uma previsão climática que apontava o risco de nova estiagem, mas as chuvas dos meses de janeiro e fevereiro eliminaram a preocupação. Com a nova projeção no campo, as atenções ficam agora concentradas nas medidas econômicas e sanitárias definidas em função da pandemia.

“Apesar das perspectivas positivas vindas da agricultura, é a evolução da pandemia que vai acabar ditando o ritmo da atividade econômica gaúcha nos próximos meses”, destaca Vanessa, coordenadora do estudo.

Cenário externo

O boletim ressalta no primeiro bimestre de 2021 o avanço das campanhas de imunização e das medidas adicionais de apoio econômico nos países avançados e, ao mesmo tempo, trata do ritmo mais lento da vacinação e das menores condições de apoio financeiro dos países emergentes. Após queda estimada de 3,3% da economia global em 2020, a perspectiva é de uma recuperação na casa dos 6% neste ano, puxada por países como os Estados Unidos, que apresentou um plano robusto para contrapor os efeitos da pandemia.

A retomada do comércio mundial e da produção industrial, que já recuperaram os níveis pré-pandemia, deve seguir ganhando força. Conforme o documento, os estímulos econômicos nas economias avançadas devem manter os preços das commodities em alta, sobretudo as agrícolas, o que tende a beneficiar o Rio Grande do Sul.

Cenários nacional e local

A disseminação da cepa mais contagiosa do coronavírus fez a perspectiva de recuperação da economia brasileira em 2021 ser revisada. Se em janeiro a estimativa era de uma alta de 3,40% em 2021 e 2,50% em 2022, a projeção em abril caiu para 3,17% em 2021 e 2,33% em 2022, de acordo com o Boletim Focus, do Banco Central. Os primeiros dados sobre o andamento da economia em 2021 também mostram a continuidade da recuperação do setor industrial do país, ainda que com taxas mais tímidas, se comparado com o último trimestre de 2020. O fim do auxílio emergencial é uma das justificativas para o fraco desempenho dos setores de Serviços e o Comércio.

“A rodada adicional do auxílio a ser paga a partir de abril, com valores inferiores aos de 2020, podem contrabalançar esse cenário, ainda que de forma limitada. Ademais, o ritmo lento de vacinação tende a impor maiores restrições à trajetória dos setores e da economia como um todo”, avaliam os pesquisadores.

No Rio Grande do Sul, após um ano em que, além da pandemia, a estiagem afetou fortemente a economia, os dois primeiros meses de 2021 mostraram um avanço da indústria, com alta de 8,4% até fevereiro, tendo destaque os setores de máquinas e equipamentos, produtos de metal, químicos e de borracha e plástico. No entanto, a previsão é de que este fôlego não se mantenha por muito tempo.

A perspectiva é a mesma para o comércio, que sofreu forte queda já no primeiro bimestre, com baixa de 9,2% na comparação com o mesmo período do ano passado. A baixa no Estado foi mais intensa do que a registrada no país no mesmo período (-2,1%), de acordo com a Pesquisa Mensal do Comércio do IBGE.

“Se, por um lado, a volta do auxílio emergencial trará um acréscimo de renda, e por consequência, de consumo, as medidas adotadas para refrear os efeitos da pandemia geram um quadro de incerteza para a indústria e, principalmente, para o comércio e os serviços”, conclui Vanessa.

Boletim de Conjuntura

O documento elaborado pelos técnicos do DEE, departamento vinculado à Subsecretaria de Planejamento da SPGG, analisa as questões mais importantes da conjuntura internacional, nacional e regional disponíveis até o mês de abril, com foco no Rio Grande do Sul, com perspectivas para o próximo período.

Boletim completo.
Assista ao vídeo com a análise da pesquisadora Vanessa Sulzbach

Texto: Vagner Benites/Ascom SPGG
Edição: Secom

Governo do Estado do Rio Grande do Sul